segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cruéis são todos os preconceitos



O preconceito é uma forma enviesada de se perceber o outro. Tal sentimento reside no homem e pode eliminar sonhos e inibir vidas. É lamentável perceber que o preconceito se manifesta em todo ser humano, em graus variados. Em alguns casos funciona como estratégia de defesa a algo que não lhe convém. Em outros, como forma de desrespeito às diferenças e às minorias. O preconceito parte de quem se sente incomodado, como quando se antipatiza com alguém por sua religião, raça, nacionalidade, opção sexual, nível social, etc. Isso leva à discriminação que não é outra coisa senão a prática da exclusão. Quem nessa vida já não foi alvo de algum tipo de preconceito? Quem não se lembra de ter rejeitado, algum dia, o comportamento de alguém ou mesmo algo que lhe incomodasse? Todos podemos nos ver aí, mesmo que em esporádicos momentos de nossas vidas. Para que melhor possamos entender como nascem os preconceitos, precisamos refletir sobre as influências externas que sofremos e que absorvemos como condutas naturais.
Vivemos num mundo inibidor de valores em que os preconceitos e a hipocrisia permeiam as relações humanas, tornando-nos menores em nossas medíocres existências. Parece até que as pessoas valem mais pelo que têm que por aquilo que são. A beleza física de poucos supera o caráter de muitos. Já não importa aquilo de bom que carregam dentro de si. O dinheiro ganho por alguns, ilicitamente, atinge índices no ibope jamais alcançados pelo mísero salário mínimo, ganho pelo trabalhador, honestamente. Essas coisas de bons valores e de sentimentos nobres ficam para os pobres poetas e românticos que não venceram na vida, dizem as más línguas. Hoje em dia o que se vê são hipócritas emitindo conceitos sobre o que deve ser um homem, mas no entanto o que vale mesmo é justamente o contrário. Nunca a inversão de valores esteve tão em voga quanto agora, a ponto de muitas pessoas repensarem o que deverão ensinar aos seus filhos como sendo as normas de boa conduta e de respeito ao próximo. O jeitinho brasileiro está incorporado entre nós de tal forma que se alguém se dispuser a negá-lo corre o riso de ser levado ao ridículo. "É preciso se levar vantagem em tudo", diz a "lei de Gerson". Tudo isso vai-se incorporando em nossa mente e, vez ou outra, passamos a questionar o próximo e a nós mesmos. São inúmeros os estímulos para que compactuemos com o errado que hoje vigora livremente no seio da sociedade. Muitas pessoas que resistem passam a ser discriminadas e vítimas do odioso preconceito.
Há pessoas enfrentando o vexame de ter seus valores a ponto de irem para a lata de lixo. A correr o risco de se contaminarem pelos preconceitos. O homem que hoje em dia tem um comportamento reto, que é justo e acima de tudo honesto, é tido e havido, muitas vezes, como um grande otário, um bobo que não merece que ninguém perca seu tempo com ele. Chegamos a essa triste realidade. É evidente que numa sociedade materialista, manipulada por interesses nada nobres já não há mais espaço para a coerência e passa a ser comum ver pessoas se dobrarem a essas evidências. Esta sociedade consumista tem causado muito mal. Seus parâmetros nos passa a idéia de que para atingirmos os fins não nos interessam os meios. A partir daí nasce a vontade de eliminar aquilo de "errado" que aprendemos e de adotar os valores e a postura daqueles que precisam "se dar bem" na vida. Vivemos num mundo onde se valorizam as aparências. É comum ver o próprio poder público a criar dificuldades para vender facilidades. Já não existe entre as pessoas, com a mesma ênfase de outrora, a tão necessária solidariedade. Pessoas estão sendo vítimas do embrutecimento que podem torná-las insensíveis e desprovidas de seus melhores sentimentos. São sinais a indicar que a sociedade está doente, que os homens estão perdidos nesse torvelinho de ebulições e seguem assim fortalecendo o processo de desumanização. Quem se apresenta diferente, quem não comunga com um mundo onde não haja sonhos e o direito à liberdade, poderá em breve ser uma espécie em extinção. Se as pessoas honradas e providas de bom-senso não trabalharem em prol do resgate dos valores humanitários, a discriminação e o preconceito poderão reinar absolutos. Graças a Deus acreditamos que as pessoas de bem ainda são maioria no mundo e poderemos esperar uma sociedade menos discriminatória.

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